Celeste Blog
Assim vai parecer que eu também fui contagiada pela moda do momento. Desculpem, mas tinha que comentar.
Depois de Barack Hussein haver sido comparado com "El Diego" pelo próprio, agora até o General Juan Domingo entrou nessa.
É que a senhora presidente desta nação, em meio a todo esse clima tenso que paira, sempre tem um tempinho para anunciar linhas de onibus, liquidação de eletrodomésticos ou ir passear na Espanha com sindicalistas. Também adora mudar de assunto quando o tema é a reestatização da Aerolíneas Argentinas. Foi assim que ela interrompeu a explicação para o inexplicável e proferiu a pérola do dia:
"Outro dia escutava ao presidente do país mais poderoso da Terra e tenho grandes expectativas quanto às decisões que possa tomar este primeiro presidente afroamericano para deter a crise. Não sei se Obama haverá lido a Perón, mas permitam-me afirmar que os dois se parecem muito."
Está no lanacion.com.
Pelo menos a crise das moedas na Capital Federal. Finalmente, a Secretaria Nacional de Transportes anunciou a impantação de cartões magnéticos para o transporte público na Grande Buenos Aires, o que significa o fim de um calvário em busca de moedas para mais de 4 milhões de usuários diários.
Segundo o matéria publicada no jornal La Nación, a apresentação oficial do projeto será na próxima quarta-feira, dia 4, e comecará a funcionar em 90 dias. Os cartões serão emitidos pelo Banco de la Nación Argentina e terão validade nos ônibus, metrô, trens e premetro.
Obviamente, essa medida inclui também um novo aumento das tarifas (o último foi no dia 1 de janeiro), mas reza a lenda de que isso acarretará cortes nos milionários subsídios do governo às concessionárias de transporte público na capital - voltaremos a esse assunto em novo post.
Nem tudo é tango, bife de chorizo, café e glamour. A Argentina também é sempre destaque quando se trata de crise. Além da crise mundial e da ameaça de volta da hiperinflação por aqui, os porteños também são vitimas de outra crise, a das moedas.
O problema já dura alguns anos e afeta vários setores. Usuários de ônibus urbanos podem chegar a necessitar quase $10,00 em moedas diariamente para locomover-se na Grande Buenos Aires, onde esse é o único meio de pagar o transporte. Estima-se que 4,5 milhões de pessoas utilizem ônibus diariamentena capital e conurbano.
Comerciantes também reclamam da falta de moedas e da pouca disponibilidade dos níqueis nas agências bancárias. Muitos culpam as empresas de ônibus por retê-las. O Banco Central, por sua vez, afirma que a quantidade de moedas produzidas só aumenta e que esta é suficiente para atender a demanda local. A única vez que a justiça agiu a respeito, encontrou milhões (muito mais que a arrecadação diária ou mensal) em cofres de empresas de transporte coletivo.
E enquanto pratica-se um dos grandes esportes nacionais (culpar alguém, de preferência o governo, capitalismo e as grandes corporações, que aqui com frequência têm organização digna de setor público), já surgiram os vendedores de moedas, que cobram entre 10 e 15% de comissão pela troca de cédulas por metal. Resultado: donos de pequenos comércios já repassam ao consumidor esse custo.
E graças a essa novela, o país volta ao noticiário internacional. Na edição do dia 5 de janeiro, o Wall Street Journal deu destaque à crise das moedas na Argentina. Leia aqui.


