
Celeste Blog

Nem tudo é tango, bife de chorizo, café e glamour. A Argentina também é sempre destaque quando se trata de crise. Além da crise mundial e da ameaça de volta da hiperinflação por aqui, os porteños também são vitimas de outra crise, a das moedas.
O problema já dura alguns anos e afeta vários setores. Usuários de ônibus urbanos podem chegar a necessitar quase $10,00 em moedas diariamente para locomover-se na Grande Buenos Aires, onde esse é o único meio de pagar o transporte. Estima-se que 4,5 milhões de pessoas utilizem ônibus diariamentena capital e conurbano.
Comerciantes também reclamam da falta de moedas e da pouca disponibilidade dos níqueis nas agências bancárias. Muitos culpam as empresas de ônibus por retê-las. O Banco Central, por sua vez, afirma que a quantidade de moedas produzidas só aumenta e que esta é suficiente para atender a demanda local. A única vez que a justiça agiu a respeito, encontrou milhões (muito mais que a arrecadação diária ou mensal) em cofres de empresas de transporte coletivo.
E enquanto pratica-se um dos grandes esportes nacionais (culpar alguém, de preferência o governo, capitalismo e as grandes corporações, que aqui com frequência têm organização digna de setor público), já surgiram os vendedores de moedas, que cobram entre 10 e 15% de comissão pela troca de cédulas por metal. Resultado: donos de pequenos comércios já repassam ao consumidor esse custo.
E graças a essa novela, o país volta ao noticiário internacional. Na edição do dia 5 de janeiro, o Wall Street Journal deu destaque à crise das moedas na Argentina. Leia aqui.


